domingo, 10 de janeiro de 2010

Baby, I hate days like this!

Me mandaram pra Chicago, em vez de me deixarem pegar o vôo IAD - GRU. O vôo de Chicago NAO SAIU, por problemas mecânicos. Só veio hoje de manhã, e agora que cheguei em SP não existe mais vôo pra BH. São três da manhã e meu vôo pra casa é só 8:30. Ah, e pergunta cadê minhas malas? Alguém tinha ALGUMA dúvida que elas não viriam comigo?

A Dani tinha feito uma reserva no freeshop com umas coisas pra ela e pra Lud, e eu pedi pra reservar um Appleton 12 anos pra mim. Quando cheguei, claro que a reserva já tinha caído (era pra ANTEONTEM!), mas o cara buscou os dados e saiu catando as encomendas pela loja. Só faltou uma coisa, adivinha qual? Comprei uma coxinha e pedi com catupiry. Adivinha se TINHA catupiry dentro dela? Arg!

***

Quando eu estava em Washington chorando compulsivamente, veio uma moça tentar me consolar - "olha, você podia ter câncer, ou você podia ser cega... mas não, só perdeu o vôo" (e eu fiquei pensando se tirava minha bazuca da mochila e lhe dava um headshot). Tá bom, SEMPRE tem como piorar. Eu podia ter perdido uma perna. Eu podia ter perdido um evento realmente único, como o casamento de uma irmã. Eu podia ter perdido meu próprio casamento! =) Mas isso é razão pra gente ser feliz? Sou feliz porque tudo podia ser pior?

Outra coisa que eu ouvi muito é - everything happens for a reason, ou seja, tudo acontece por alguma razão. Pra mim, que não acredito em destino, isso é pura bobagem. E ai, conheci o amor da minha vida no vôo? Ou o avião que eu deveria ter pego caiu? Tem alguma coisa muito boa pra acontecer e me recompensar de tudo isso?

Por último... a Lud comentou que eu estava aceitando a situação com muita dignididade. Isso diz ela que está longe e não viu, porque chorei durante dois dias - e não lembro de ter chorado tanto faz muito tempo. Não foi choro de lagriminha escorrendo não, foi desses choros convulsivos, de fazer barulho, entupir o nariz e tremer o corpo, e das pessoas perto ficarem preocupadas e oferecerem abraços (não é fofo? me ofereceram abraços!). Sem contar que não tive paciência nenhuma com as atendentes da United. Nâo cheguei a gritar nem ser mal-educada, mas fui impaciente, chorona, chata, e chamei uma de mentirosa (mas é porque ela tava mesmo mentindo pra mim!). Poderia ter me comportado muito pior, tá bom, mas isso não quer dizer que fui uma lady! =) Mas a pergunta é a seguinte - de que adianta? Se eu fosse um anjo de candura, ou se eu esbofeteasse a atendente, ia dar exatamente no mesmo. Pra que serve a gente não chorar, ser forte e não dar escândalo? Pra deixar os OUTROS mais felizes, não a gente?

3 comentários:

Natália Vaz disse...

Isa, e tu tá aonde agora? Quanta zica, mulher! Será que conseguiu chegar? ;** Boa sorte!

Lud disse...

Eu não acho que tudo aconteça por uma razão porcaria nenhuma. O que acontece é que o ser humano é um ser significante e gosta/precisa de dar sentido para tudo. O que não deixa de ser consolador (pra ele).

As pessoas oferecerem abraços é o máximo. Você aceitou? =D

Quanto a não maltratar as pessoas, realmente não adianta nada. É que tenho dó. Por isso não destrato operadores de telemarketing. Mas estou pensando seriamente em usar os métodos que li em uma revista: "Que tal você me dar o SEU telefone e eu te retornar depois?". Ou "Vamos falar de VOCÊ agora".

Camilinha disse...

É, nada fácil essa situação...

Como eu oscilo entre momentos de candura e em outros sou o próprio Satanás, sou incapaz de julgar você.

Em casos como esse, qualquer das reações é válida.